“É para passarela, não para a rua!” – Por uma maior liberdade ao se vestir
“Mas isso é para passarela, não para andar na rua!”
Foi exatamente isso que ouvi de minha mãe ontem, ao comentar que havia gostado muito desse casaco transparente do desfile da Auslander.

Auslander verão 2010 (fonte: site Erika Palomino)
Nos círculos de moda fala-se bastante que tal peça é conceitual e por isso não-usável, ou então que provavelmente sairá da passarela mas não chegará às lojas e isso realmente acontece na maioria dos casos, seja por causa de uma silhueta diferente, comprimentos curtos ou longos demais ou por qualquer outro motivo que reme contra a maré do que diz o senso comum fashionista. Peças lindas (ou não) que fazem total diferença nos desfiles simplesmente desaparecem do mapa quando a coleção é vendida e o consumidor que procura roupas mais arrojadas fica a ver navios.
É engraçado notar que na história do vestuário, todas as transformações mais importantes aconteceram justamente porque havia pessoas que usaram peças que “não eram para a rua”. Imagine o que as mulheres que usavam calças lá pelos anos 20 ou os primeiros punks e emos aqui no Brasil passaram quando saíam às ruas com suas roupas transgressoras? Ouvem-se histórias que vão de expulsões de restaurantes à violência física e verbal, mas com a insistência e o tempo, tudo foi absorvido pelo mercado e hoje em dia isso já não é visto com tanta estranheza.
Os criadores, ao apresentarem em suas coleções peças que não chegam ao consumidor impedem que essas mudanças no ato de vestir aconteçam e dessa maneira, não surgem novos olhares em relação à moda por parte da maioria da população, do cidadão comum.
Acho que no fundo, falta mesmo é coragem de ousar um pouco mais na hora de se vestir. Não sei como é o quadro em outros estados, mas pelo menos aqui no Rio, onde as roupas respiram, acima de tudo, um padrão de sensualidade nas mulheres e um despojamento nos homens (fato observado nas ruas e não suposto), não se vê mudanças significativas ou pessoas que saem do comum. Mesmo nos meios “alternativos” (acho que esse termo já caiu em desuso, mas…), o que se vê são pessoas com as mesmas roupas. Já presenciei situações em que essas pessoas ditas “alternativas” faziam chacota de alguém que usava algo diferente do que a maioria usaria, ou por definição, alternativo. Isso em semanas de moda, inclusive.
Isso não quer dizer que todo mundo tenha a obrigação de ser avant garde o tempo todo, mas deve pelo menos pensar duas vezes por que é que tal roupa não pode atravessar a difícil barreira dos formadores de opinião e dos próprios criadores e chegar às araras, até por que, muitas vezes, são essas as peças que causam mais desejo.
Recentemente, ouvi alguém dizer que “ombrinho de Balenciaga no Brasil não dá”. Por quê?!
12/06/2009 às 4:20 PM
Adoro sua opinião porque vai sempre na contra-mão do que pensam os criadores de moda.
Sempre achei que os fashinistas, os alternativos e todas essas tribos que surgiram nos últimos tempos, usam uniforme. Todos cortam o cabelo igual, vestem as mesmas grifes e sempre me pareceu um comportamento adolescente.
Me incomoda muito quando quero uma coisa que nova e ninguém sabe me dizer onde encontro.
Parabéns pela iniciativa, virei a do blog.
16/06/2009 às 1:53 AM
Aee, Kdoo com blog \o/
“dorei” o texto!
beijos,